Enzo Remy, de 17 anos, lidera o vestibular de Direito da UFG e destaca influência do pai na escolha da carreira
Filho do advogado Danúbio Remy, jovem venceu um dos processos seletivos mais concorridos do estado após rotina intensa e adaptada ao próprio ritmo

O estudante Enzo de Israel Borges Remy, de apenas 17 anos, conquistou o primeiro lugar no vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG) para o curso de Direito — um dos mais procurados após o retorno da prova tradicional. A vitória, celebrada pela família, marcou o fim de uma jornada de dúvidas, adaptações e longos meses de dedicação.
Enzo conta que a decisão sobre qual carreira seguir só começou a se firmar no último ano do ensino médio. “Durante o primeiro e o segundo ano, nada estava definido. No terceiro, precisei encarar a escolha de verdade. Conversei com minha família, orei bastante e, pelas possibilidades profissionais, decidi pelo Direito.”
A presença da profissão dentro de casa influenciou naturalmente esse processo. O jovem é filho do advogado Danúbio Cardoso Remy, figura reconhecida no meio jurídico goiano. Segundo ele, observar o pai ao longo dos anos ajudou a guiar suas convicções.
“Meu pai sempre foi uma referência. Via de perto a rotina dele, a responsabilidade, o compromisso com o trabalho. Isso pesou muito. Minha madrinha também faz parte da área, então cresci cercado por esse universo.”
Mesmo assim, Enzo revela que considerou outros caminhos antes de decidir. “Cheguei a pensar em licenciatura e até cogitei Medicina, muito pelo ambiente escolar. Mas percebi que não combinavam comigo. Dentro das alternativas, o Direito foi o que mais fez sentido.”
Estudo intenso, mas sem métodos engessados
Ao contrário do que muitos imaginam, Enzo não seguiu cronogramas rígidos. Ele manteve foco no Enem e, quando a UFG anunciou o vestibular, apenas ajustou sua rotina.
“Prestava muita atenção nas aulas pela manhã e organizava exercícios e revisões à tarde. Juntando tudo, dava cerca de nove horas por dia, mas nunca fui de contar necessariamente.”
Ele destaca que buscou equilíbrio para não comprometer seu rendimento. “Eu tinha noção de que precisava descansar. Meu método era estudar mais onde tinha dificuldade e respeitar meus limites.”
Alguns hobbies acabaram ficando em segundo plano. “Parei o inglês, reduzi o esporte, deixei o violão de lado. Mas continuava presente nas reuniões familiares — só que sempre com algum material de estudo na mochila.”
A redação foi um dos pontos que exigiu mais empenho. “Demorava muito para escrever. Achava que nunca estava bom. Reescrevia várias vezes. Já revisei texto até em restaurante, pelo celular.”
Primeiro lugar inesperado
Apesar da preparação sólida, Enzo afirma que não esperava liderar a classificação.
“Foi uma surpresa total. O vestibular veio diferente do esperado, então todos estavam inseguros. Quando o resultado saiu, meus professores e colegas ficaram tão chocados quanto eu.”
Um amigo de escola, Otávio, garantiu o segundo lugar. “Fomos os únicos do colégio aprovados.”
O papel da família: inspiração e equilíbrio

Além da influência profissional do pai, o estudante reforça que o apoio emocional da família foi essencial para atravessar o ano desafiador.
“Meu pai sempre me falou sobre responsabilidade, mas também sobre manter equilíbrio. Ele me ensinou a buscar meu próprio ritmo e a não me comparar com os outros. Isso me ajudou muito.”
Conhecido pela postura ética e pela dedicação na advocacia, Danúbio Remy é visto pelos familiares como um espelho para o filho. Valores como disciplina, seriedade e comprometimento, segundo eles, moldaram também o comportamento de Enzo como estudante.
O olhar da avó
A avó do jovem, Magali Carnot, acompanhou de perto todo o processo e viu de perto o ritmo acelerado da rotina.
“Às vezes eu chamava: ‘vem aqui um pouco, você sumiu’. E ele dizia: ‘não dá, tenho redação, tenho aula, preciso estudar’. Era assim o tempo inteiro”, conta.
Para ela, o resultado superou as expectativas. “Sabíamos que ele passaria, mas em primeiro lugar foi emocionante. Ele sempre foi muito responsável e comprometido. Foi uma alegria enorme.”
Conselhos para outros estudantes
Ao falar para quem ainda enfrenta dificuldades para se organizar, Enzo reforça a importância da individualidade nos estudos.
“Não existe fórmula mágica. Cada pessoa precisa entender como aprende melhor. Os métodos que me sugeriram não funcionaram para mim. Meu rendimento caiu. Então adaptei tudo ao que realmente conseguia fazer.”
Ele também orienta que os estudantes não sigam modelos prontos de redação e escolham o curso baseado no que dominam e no que realmente se identificam. “E ouvir a família e os amigos faz diferença. Eles enxergam coisas que às vezes a gente não percebe.”
Aprovado em um dos cursos mais concorridos da UFG, o jovem encara o feito como o início de um novo capítulo. “É só o começo. Agora começa outra etapa da jornada.”
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